O livro Uma história que fala ao coração, de Irmã Maria de Lourdes Magalhães de Toledo, da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry, narra a vida da Venerável Maria Teodora Voiron, em linguagem simples que atinge crianças, jovens e adultos. Irmã Lourdes escreve como se a própria Maria Teodora estivesse contando sua história. Sua proposta é que a história fale aos corações.

“Trata-se da vida de uma pessoa muito especial, que nasceu na França e veio ser missionária no Brasil. Saberá como foi sua infância na família, seus sonhos na juventude, sua decisão vocacional, o chamado para a missão no Brasil como Irmã de São José. Conhecerá um pouco de suas virtudes, mas, sobretudo, seu grande amor, vencendo mil barreiras para seguir o chamado de Deus como missionária no Brasil, dos 24 aos 90 anos.
Segue sua introdução:
Conversando com você, ela irá contar sua história, seus desejos, seus sonhos, suas respostas a Deus e ao querido próximo. Quem sabe essa história irá ajudar você a dar respostas concretas a Deus e aos irmãos.
Itu, 06 de abril de 2007
Irmã Maria de Lourdes Magalhães de Toledo, I.S.J”.
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Muita gente me chama de Madre Teodora. Mas eu não nasci sendo freira, sendo Irmã. Tive uma família normal, vivi minha infância com meus pais e meus irmãos, fui adolescente, fui jovem, tive meus sonhos, tive meu ideal, procurei realizá-lo em minha vida, por sinal, muito longa.
Quer conhecer minha História? Vou contá-la a você.

Recebi o nome de Luisa Josefina Voiron e fui batizada no dia 07 de abril.
Nasci bem longe daqui, na França, numa cidade chamada Chambéry, no dia 06 de abril de 1835.
Aos três anos, adoeci gravemente por causa de um susto. Meus pais, aflitos, ao ouvirem o médico dizer: “nada mais posso fazer”, levaram-me até o Santuário de Nossa Senhora de Myans, situado numa cidadezinha próxima da nossa. Quanta fé tinham meus pais! Fizeram essa caminhada a pé, em jejum, assistiram à Missa e comungaram. Meu pai prometeu a Maria que voltaria todos os anos a esse Santuário, até que eu completasse vinte anos. No final da Celebração Eucarística, eu estava curada. Voltei alegre, pulando e correndo pelo caminho. Meu pai cumpriu fielmente a promessa até eu completar vinte anos.
APRENDI NA MINHA FAMÍLIA
Com minha mãe aprendi a costurar, a ajudar nos trabalhos da casa. Lembro-me de que, desde pequena, junto com minha mãe, costurava roupas para os pobres.
Mas, não pense que, desde criança, eu fazia tudo certinho. Bem que eu fazia minhas travessuras
Lembro-me de que uma vez fui abrir uma noz com minha tesourinha. Só essa que faltava! É claro que a tesoura se quebrou. Sabe o que fiz? Com medo de uma repreensão, logo escondi a tesourinha.
Isso não durou muito. Minha mãe achou o objeto escondido e provocou minha confissão.
Minha filha, onde está sua tesourinha?
Perdi-a, mamãe
Oh!…
E minha mãe privou-me de seu beijo durante oito dias. É claro que isso custou muito ao meu coração afetuoso, mas valeu a lição. Chorei muito, mas nunca mais menti.

NUMA OUTRA OCASIÃO SABE O QUE APRONTEI?
Vendo dois belos pêssegos no quintal do vizinho apressei-me em tirá-los. Estavam uma delícia. Em seguida, veio o remorso. Não fiz uma nem duas, fui logo me confessar com o padre.

Sabe como ele me orientou? Que depositasse duas moedas das minhas no cofre da Igreja.
Na próxima vez que fui à lgreja com minha mãe, vi o cofre bem visível. Logo pensei: “Aquele é o cofre dos ladrões. Todos vão saber o que eu fiz. Não tenho coragem de cumprir agora a penitência…fica para depois”.
De repente, vejo minha mãe se levantar e ir colocar umas moedas nesse cofre. Mais que depressa, eu Ihe perguntei:
_“ Mamãe, para que é esse dinheiro”?
_ “Para os pobres, minha filha”.
Que alívio. Imediatamente peguei minhas moedas e as depositei no cofre.

Com minha mãe aprendi também a simplicidade e a verdade.
Uma vez ganhei um vestido muito bonito de meu padrinho que chegara de Paris. Ao vestí-lo para passear, fiquei um bom tempo me olhando no espelho e saí toda vaidosa. Minha mãe me chamou antes e me disse:
– “Filha, quando alguém admirar seu vestido explique: “É um presente de meu padrinho. Meus pais não têm dinheiro suficiente para me comprar coisas tão caras”.
Esse tipo de formação que recebi era exigente mas sinto que valeu para a vida toda.
Ainda bem pequena, aprendi a tricotar com minha mãe. Eu achava difícil fazer meias com aquelas agulhas tão compridas! Quantas vezes eu precisava desmanchar as carreiras já feitas! Minha mãe queria que eu aprendesse a fazer minhas próprias meias.

Quando eu era criança, todas as meninas usavam botinhas e andavam sempre com meias. Como eu estava sendo preguiçosa em tricotar, mamãe escondeu minhas meias.De manhã cedo, precisei ir à escola meias. Foi muito difícil pra mim. Parecia que todos os conhecidos me olhavam. A uma dessas pessoas eu disse: “Mamãe já não tem meias para me dar e eu não sei fazer tricô”.
VALEU A LIÇÃO. ATÉ QUE EU FIQUEI UMA BOA TRICOTEIRA.

De minha infância lembro-me com alegria do dia de minha Primeira Comunhão aos nove anos.
Vem daí meu grande amor pela Eucaristia.
Lembro-me de que, uma vez, ao chegar da escola, fui abraçar minha mãe como de costume. Uma sua amiga ficou nos olhando atenta. Mamãe lhe disse:
“Deixe-a demonstrar todo seu afeto por mim… ela não me terá por muito tempo”.
Na hora não entendi bem o que se passava. Mas, no ano seguinte, tive um grande golpe em minha vida: minha mãe faleceu deixando cinco órfãos, sendo o último de três meses.

Foi uma perda muito dura. Eu era a mais velha e, na minha dor, com apenas 10 anos peguei pelas mãos meus irmãozinhos e diante da imagem de Nossa Senhora, pedi que nos abençoasse e protegesse. Não sei como tive tanta força… A partir daí, fui a mãezinha de meus irmãos e, várias vezes,a conselheira de papai.
Preocupado com nossa formação, meu pai matriculou as filhas numa escola que as Irmãs de São José acabavam de abrir em Chambéry.
Quanto aprendi com as Irmãs de São José que passei a admirar a amar!
Continua…